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O Stress feito de Bits e Bytes

03 abr

 

Reproduzo abaixo um artigo de 2001 do Grande Escritor e Microsoft MAN Júlio Battisti. Esse artigo já teve mais de 1 milhão de acessos em seu link original.

Mas, o interessante, e o que eu quero chamar a atenção com esse post,  é que em 2010, existem muito mais pessoas com os mesmos “problemas” que o Júlio já relatava em 2001. Se você não é assim, pelo menos conhece alguém que é. Eu, me incluo nesse bolo de problemáticos.

O Stress feito de Bits e Bytes – Júlio Battisti

Estamos vivendo a “Era da Informação e da Velocidade”. Muitas vezes, ficamos atônitos com a rapidez em que as mudanças acontecem. Já não basta mais sermos especialistas em Informática. Precisamos “entender do negócio”, senão como poderemos aplicar nossos conhecimentos em benefício da empresa?

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Muitos consultores e autores bem sucedidos de livros de negócios e carreira dizem que estamos vivendo a era dos multespecialistas. Precisamos entender de muitos assuntos: administração, finanças, informática, outros idiomas, pessoas (esta talvez seja a aptidão mais importante), trabalho em equipe.

Como dominar tantas competências e, ao mesmo, tempo conciliar família, amigos, atividades físicas e a pressão da empresa por resultados cada vez melhores e em menor tempo? Com certeza não é fácil, mas é possível crescer profissionalmente e, principalmente, com ética, sem abrir mão da vida pessoal.

Não dá para estudar tudo ao mesmo tempo. Durante muito tempo comprei muito mais livros do que poderia ler. Cheguei a ter mais de 30 esperando na fila. Constantemente me preocupava pelo fato de não conseguir ler e estudar todos os assuntos que eu julgava importantes. Uma simples pausa para assistir ao jogo de futebol do meu time na televisão era motivo para consciência pesada por não ter aproveitado “melhor” meu tempo.

Neste período, acabei me afastando dos amigos, da família e até minha esposa queixava-se, com razão, de que eu quase não ficava com ela. Muitas vezes eu me preocupava mais em ler um livro, do que em fazer uma análise sobre seu conteúdo e sobre o valor daquela leitura para mim e para a minha carreira. O importante era diminuir a fila de livros não lidos, mesmo que isso significasse cada vez menos horas de sono, de lazer e de atividades físicas. Pouco importava se minha qualidade de vida estava piorando dia-a-dia.

Talvez o amigo leitor jamais tenha chegado a esse ponto, mas não é difícil concluir que “não dá pra estudar tudo”. O simples fato de o estudo ter se tornado uma carga muito pesada, mais uma obrigação do que um prazer, fez com que meu rendimento e bom humor descessem a níveis preocupantes.

Não dá para aprender tudo ao mesmo tempo: Windows 2000, Linux, Novell, Unix, Visual Basic, Delphi, Java, Java Script, ASP, ASP+, C, C++, C#, XML, segurança, finanças, economia, administração, fazer um MBA, uma Pós …. e se você ainda estiver vivo e houver tempo, quem sabe, uma cirurgia de ponte de safena.

Estudo e aperfeiçoamento contínuos são fundamentais sim, porém de forma organizada e, principalmente, planejada. O foco deve estar na aplicação dos conhecimentos adquiridos. Jamais no conhecimento por si só. Leia esta pequena história:

Uma vez um mestre fez uma experiência com seus alunos. Pegou um vaso e encheu-o com pedras grandes. Depois, ergueu o vaso e perguntou aos alunos:

– O vaso está cheio?
A turma se dividiu, com alguns dizendo que sim e outros que não. O mestre então, pegou algumas pedras pequenas e colocou-as no vaso. As pedras pequenas se encaixaram entre as grandes, e o mestre ergueu o vaso, novamente, perguntando:

– O vaso está cheio?
Desta vez a maioria da turma respondeu que sim. O mestre, então, pegou um saco de areia e despejou dentro do vaso. Depois, repetiu a pergunta.

A grande maioria respondeu que sim. O mestre, então, pegou uma jarra de água, derramou no vaso, e perguntou:

– O vaso está cheio?
A turma finalmente chegou a um consenso. Todos responderam que sim. Então o mestre falou:

– Este vaso é como a nossa vida. Se eu tivesse colocado as pedras pequenas, a areia ou a água primeiro, não haveria espaço para as pedras grandes. As pedras grandes na nossa vida são a família, os amigos, trabalho, lazer e saúde e é fundamental que não descuidemos delas. Não podemos perder muito tempo com coisas sem importância (as pedras pequenas), pois corremos o risco de não haver espaço para as coisas que realmente são importantes.

Para mim foi vital entender que a carreira é importante sim, principalmente em tempos de alta rotatividade e de busca por profissionais cada vez mais qualificados. Mas ela não é tudo. Uma carreira de sucesso é sustentada por muitos pilares e, sem dúvida, família, lazer, amigos e saúde física e mental são alguns dos que têm maior importância.

Reservar um tempo para a família, programar horas de lazer ou de bate-papo com os amigos e realizar atividades físicas não podem, de maneira alguma, ser consideradas atividades que nos “roubam tempo”. Às vezes, é importante uma simples parada para não fazer nada e refletir sobre a vida. A partir do momento em que conseguimos equilibrar esses aspectos, passamos a ver as coisas com mais clareza e a produzir mais e melhor.

Planejamento e organização

Também não podemos descuidar de dois princípios básicos para uma carreira de sucesso: organização e planejamento. A cada fim de ano planejo minha carreira para os 365 dias do novo ano que vai começar e sempre penso nos seguintes aspectos: novos conhecimentos que desejo adquirir e aonde vou aplicá-los, provas e exames de certificação que desejo fazer, projetos que pretendo implementar na minha empresa e projetos pessoais que quero desenvolver (como escrever livros e artigos).

O planejamento precisa ser feito de maneira consciente. Não adianta planejar uma carga de atividades que você não vai ter como dar conta. Também é importante ter consciência de que nem sempre as coisas saem conforme o planejado. É preciso ter criatividade e flexibilidade para contornar e solucionar imprevistos.

Melhorar a capacidade de organização e de gerenciamento do tempo, também é um aspecto importante. Muitas vezes me pegava navegando na Internet horas a fio, saltando de um portal para o outro, maravilhado com a quantidade de informações, mas não chegava a ler sequer um artigo. Na verdade, nem mesmo me lembrava do assunto que me levou a acessar a Internet. É claro que a Internet é imprescindível, porém devemos saber utilizá-la a nosso favor, sem nos perdermos na imensidão de informações disponíveis.

No começo é difícil. Diversas vezes, em meio a uma atividade de lazer, batia aquela “dor na consciência” e eu pensava que deveria estar estudando ou terminando um trabalho qualquer. Porém com o tempo, comecei a perceber a importância dessas atividades.

Posso usar o meu exemplo pessoal para mostrar o quanto é importante não descuidar das “pedras grandes” que fazem parte da nossa vida. Neste ano, consegui publicar dois livros (um sobre SQL Server 2000 e outro sobre ASP.NET, publicados pela editora Axcel Books (www.axcel.com.br)), estou viajando para várias cidades do Brasi, ministrando treinamentos em diversas áreas, consegui estudar vários assuntos que julguei prioritários e ser aprovado em vários exames de certificação.

Ainda não “zerei” a fila de livros que tenho para ler, nem dediquei o tempo que julgo necessário para minha vida pessoal, mas confesso que já consigo passar um domingo inteiro na beira da piscina, no clube, sem ficar com a consciência pesada. Este ano também tive momentos maravilhosos com minha família e meus amigos. Sinto-me mais leve e produzindo mais do que antes; consigo valorizar coisas que antes passavam despercebidas. Até voltei a brincar com crianças, o que antes eu achava algo “irritante e sem graça”, vê se pode! O caso era realmente sério!

Abaixo segue uma lista com dicas de sites e livros que me ajudaram a repensar o meu modo de vida. Espero que também possam ajudar quem se sente na mesma situação em que eu me sentia.

Livros:

– Série reinventando o trabalho, Tom Peters, Editora Campus.
– A essencial arte de parar?, Dr. David Kundtz, Editora Sextante.
– Venda-se, Claudio V. Nasajon, Editora Campus.
– E agora José ??, Marco A. Oliveira, Editora SENAC.
– 13 segredos para o sucesso profissional?, Roger Dawson, Editora Futura.
– Futurize sua empresa?, David Siegel, Editora Futura (obs.: simplesmente fantástico).
– O estudo eficaz, Alberto J. G. Villarmarín, AGE Editora.
– MBA compacto, gestão de projetos, Eric Verzuh, Editora Campus.

Para filosofar….

  • Será que não estamos presos em um Sistema que os Americanos criaram?

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  • Será que realmente ningém morre de trabalhar?

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Mas, enquanto isso, só nos resta:

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Ou:

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2 Comentários

Publicado por em 03/04/2010 em Uncategorized

 

2 Respostas para “O Stress feito de Bits e Bytes

  1. Maurício Szabo

    04/05/2010 at 11:21 pm

    Eu, particularmente, tive um professor que literalmente morreu de trabalhar… ele dava aula, trabalhava na Toyota, levava ambos os trabalhos para casa, e teve uma crise absurda de stress. Outra professora minha chegou a ficar internada por causa de stress também.

    Tudo isso para quê? Um dia, vi um artigo de um médico que dizia: “atendi muitos pacientes em nível terminal. Todos eles me diziam ‘doutor, se eu sobreviver, eu vou passar mais tempo com minha família’ ao invés de ‘doutor, se eu sobreviver, eu vou investir mais no meu negócio'”.

    Existe a piada “não leve a vida tão a sério, você nem vai sair vivo dela mesmo”. Há mais sabedoria nessa piada do que parece. Parabéns pelo post!!

     
    • thiagoghisi

      04/05/2010 at 11:45 pm

      Valeu Maurício! Obrigado pelo retorno!

      Também conheço alguns casos bem parecidos. E é bem complicado…

      Mas, só pra completar o teu comentário, lembrei de uma frase que li no livro O tempo na sua Vida e que é mais ou menos assim:

      “Quando você é novo você tem saúde e tempo, mas lhe falta dinheiro, quando você está na meia-idade(adulto), você tem saúde e dinheiro, mas lhe falta tempo e quando você está velho (quando finalmente se aposenta com aquela grana) você tem tempo e dinheiro, mas lhe falta saúde.”

      Resumindo, você nunca consegue aproveitar a vida como gostaria se você seguir o “ciclo de vida padrão que o Sistema praticamente lhe impõe”.

      Lembrei também de um post sobre o “Slow Down/Slow Food” do Flávio do Agile Way (http://www.agileway.com.br/2010/03/29/slow-down/).
      É bom saber que em alguns países eles estão conseguindo mudar esse ciclo de vida.

      Abs

       

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